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Projetos de Arte aliam experiência estética a questões sociais

A estética visual como instrumento de reflexão e incentivo ao senso crítico.
23/04/2017
Projetos
A estética visual como instrumento de reflexão e incentivo ao senso crítico.

​Em pauta, a autobiografia, a intervenção artística urbana, o autorretrato e a problematização de discursos de poder. Em sala, a estética visual como instrumento de reflexão e incentivo ao senso crítico. As aulas de Arte dos Anos Finais, conduzidas pela professora Ana Paula Vasconcelos trazem, mais uma vez, projetos trimestrais por série e despertam nos estudantes questionamentos acerca de questões atuais e presentes em seus cotidianos.

Autobiografias Projetadas - 6° ano

Nos 6º anos, o projeto do trimestre consistiu em trabalhar, em sala de aula, a história da arte ocidental e sua linearidade e a percepção de autobiografia como forma de expressão, com a apresentação de artistas autobiográficas como Frida Kahlo, Sophie Calle e Marina Abramovic. Foi, no entanto, o convite da proposta Autobiografias Projetadas em tornar os estudantes protagonistas de suas próprias histórias que tornou o aprendizado algo a ser vivenciado.

A ideia foi de os estudantes construírem suas próprias autobiografias e linhas do tempo lineares, recheadas de vivências e memórias marcantes. E, por meio de múltiplas linguagens, a arte marcou presença nas linhas do tempo criadas – agora, expostas nos corredores do Colégio -, e também nos relatos fotográficos que aliam a projeção das autobiografias ao uso expressão corporal para contar histórias e transformar a própria vida em matéria prima para a arte.

A intervenção urbana e o sticker art – 7° ano

Com a proposta de estudar a arte que sai da tela e ocupa ruas e muros, o 7° ano teve o desafio de descobrir a sticker  art, como forma de intervenção urbana: uma técnica que usa adesivos decorativos.

A referência em sala é a artista Michele Cunha, que colore a cidade com corujas coloridas. Para experienciar a técnica, os estudantes deram vida às suas corujas por meio de desenhos e a ideia é que paredes sejam espaços preenchidos pelos recortes artísticos, em uma oficina.

Troca de retratos e a auto representação - 8° ano

Já os estudantes do 8° ano tiveram como objeto de estudo uma prática comum em seus cotidianos: a selfie e, partir dela, foi proposta a reflexão sobre a auto representação e sobre como os jovens se relacionam com as imagens produzidas por si mesmos. O compartilhamento nas redes sociais e a superexposição na internet também foi pauta para debate em sala, na abordagem da transição do autorretrato na pintura até a fotografia nos dias atuais.

Inspirados pelo projeto Selfless Portraits, que promove o compartilhamento de desenhos a partir de fotos entre várias pessoas desconhecidas pelo mundo, os estudantes tiveram a oportunidade de trocar retratos com os colegas de sala. Com a prática, a ideia foi estimular e exercitar a capacidade de observar o outro e suas características, semelhanças e diferenças, além de dispor tempo à contemplação por meio do desenho em contraponto com a fotografia e o instantâneo das redes sociais. Após desenharem uns aos outros, os estudantes fotografaram seus desenhos e, em um perfil da turma no Instagram, postaram as imagens que podiam ter filtros ou não, vinculando a proposta do desenho ao ambiente web.

O Reconhecimento e a Problematização de Discursos de Poder – 9° ano

Por fim, no 9° ano, o conteúdo O Reconhecimento e a Problematização de Discursos de Poder ganhou vida com a questão da invisibilidade feminina nas artes, também retratado no projeto Elas Na Tela, idealizado no último ano. Entre as referências femininas nas artes, a artista brasileira Adriana Varejão trabalha justamente com a problemática da criação de identidade, com as referências culturais – em sua maioria, europeias - e como isso é uma construção social com raízes históricas. Em lousas e azulejos portugueses, a arte de Adriana retrata a violência presente nos encontros do processo colonial do Brasil.

A partir das indagações trazidas para sala de sala, os estudantes também trouxeram, na arte produzida em pratos, por meio ícones e índices, em diferentes tons de azul, questões contundentes, mas para os dias atuais. Entre elas, a preservação do meio ambiente, a questão de igualdade entre gêneros, a importância da diversidade religiosa e a discriminação racial.

“Fico muito feliz com esses projetos porque vejo muito sucesso em trabalhar esses assuntos emergentes na sociedade e ver que os estudantes estão conseguindo entrar em contato com isso por meio de uma experiência estética, para além de conceitos teóricos, tornando a experiência significativa. Essa é a grande proposta do ensino da arte: proporcionar a experiência estética, que o estudante viva as questões esteticamente por meio do contato poético”, declara e conclui a professora Ana Paula.