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Projetos

MArte

​​Há um paradoxo nas relações entre teatro e processo educativo. Sabe-se que a educação tem um papel formador, que se apoia em pilares racionalistas e tem objetivos e finalidades determinados. A arte, no entanto, cria um espaço de experimentação e liberdade. Nesse sentido, estudantes de hoje são altamente beneficiados ao terem contato e vivência com o conteúdo acadêmico por meio de desafios e experimentações, que tornam a construção de saberes mais efetiva no aprendizado do que a aula tradicional.

Levando em consideração esse horizonte e no intuito de despertar o senso crítico nos estudantes da Educação Básica, bem como outras habilidades, é fundamental que a escola crie agentes motivadores da realidade, inovando as formas de ensino e aprendizagem. Esse movimento permite que os alunos se tornem protagonistas do próprio aprendizado, desenvolvendo a criatividade e atuando em equipe, de forma colaborativa, ao proporem soluções alternativas para problemas acerca de temas da atualidade. Nesse sentido, as instituições  educacionais devem proporcionar espaços que levem os jovens a refletirem sobre sua produção cênica e a veja também como a construção do conhecimento.​

Diante do cenário apresentado, foi concebido, em 2002, o projeto Maristas em Arte (MArte), a partir de um grupo de alunos, juntamente com o professor de Arte Lutiere Dalla Valle, como um componente curricular da disciplina de Arte no 1º ano do Ensino Médio. A ideia inicial partiu de encenações livres, nas quais as turmas ficaram à frente de toda a montagem das peças teatrais, incluindo pesquisa, roteiro, cenário e figurino. Desde então, o projeto incentiva os jovens à experimentação da dramaturgia por meio de oficinas e apresentações cênicas à comunidade educativa do Marista Santa Maria. Assim, foram desenvolvidas oficinas de expressão corporal, jogos de mímica, elaboração de roteiros, figurinos, cenários, maquiagem, iluminação e técnicas vocais.

Em 2015, frente ao novo panorama e às mudanças propostas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como novo processo seletivo para o vestibular, alteraram-se novamente os textos trabalhados no projeto MArte para contemplar a nova proposta de seleção, optando-se, assim, por crônicas do cotidiano. Diante das novas perspectivas e proposições do estudo das áreas do conhecimento, o teatro e a literatura se unem aplicando conceitos diversos no intuito do desdobramento dos temas propostos, evidenciando que o estudo das crônicas criam um universo de seres e acontecimentos, narrativas, as quais proporcionam aos alunos a possibilidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações para defender um ponto de vista, uma temática.

A partir de 2017, o projeto passa por uma nova abordagem dentro da proposta das Matrizes Curriculares do Brasil Marista. Diante desta prática educativa, o projeto MArte, mais uma vez, concretiza-se com a proposição de interligar arte cênica e literatura, a fim de desenvolver as habilidades e os conhecimentos, a cultura, a leitura e a capacidade de criação em grupo. Por meio de uma sequência didática da área das Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, os alunos exploram mais do que a atividade cênica, trazendo consigo um estudo constante e a capacitação de uma língua, uma leitura, uma literatura.   ​

Propôs-se, então, uma releitura das crônicas que serviram como base para redação do Enem, com o intuito de elaborar uma proposta de intervenção aos problemas identificados nas temáticas, respeitando os direitos e as diferenças. Promoveu-se uma ação interativa, intencional e sociocultural, evidenciando o processo de construção da cidadania através da reflexão e da discussão de discursos e ideologias centradas no contexto atual. Foram utilizados contos literários inseridos na cultura juvenil para construção do roteiro dramatúrgico. Aliado à leitura dos contos, os alunos farão conexões com reportagens, filmes, episódios do cotidiano, seriados, suas vivências e experiências para construção de seus roteiros dramatúrgicos.​

A problematização de textos literários fomenta a construção de novas possibilidades interpretativas individuais e coletivas e possibilita aos alunos o papel do sujeito autônomo e crítico, tornando-se protagonistas da criação/produção cênica. Cria-se, assim, uma nova ação, um novo estudo, uma nova abordagem. O contexto é pensado nas dimensões no espaço e tempo privilegiado de socialização, no desenvolvimento de novos valores culturais e na construção de conhecimentos, em formar cidadãos éticos, justos e solidários para a transformação da sociedade.​

Em 2017, o Maristas em Arte foi Ouro no Prêmio Inovação em Educação, Categoria Área Fim do Sindicato do Ensino Privado Gaúcho, em que concorreu com vários Cases desenvolvidos por escolas do Rio Grande do Sul.