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Gratidão pelo presente e reflexões para o futuro

16/12/2020
Comunidade
Chegando ao final de um ano tão desafiador, especialistas abordam as aprendizagens de 2020 e refletem sobre o novo ano que se aproxima

​​​​​Nesta edição do projeto Em Família serão abordados a gratidão pelo presente e as reflexões para o futuro. A temática escolhida encerra as publicações de 2020, após apresentar assuntos como a aprendizagem, as emoções e a profissão educador, todos sob a perspectiva do contexto pandêmico que estamos vivendo. 

Para falar sobre a importância de ser grato e refletir sobre o próximo ano, convidamos especialistas de diferentes empreendimentos da Rede Marista, são eles: Anderson Roberto dos Santos, vice-diretor do Colégio Marista São Luís​; Irmão Dionísio Roberto Rodrigues; Jurema Sausen, coordenadora de pastoral do Colégio Marista Santo Ângelo; Luciano de Jesus, professor da Escola de Humanidades da PUCRS.  

Assista ao vídeo: 
 


Aprendizagens de 2020 

O ano de 2020 foi um período atípico para a sociedade. Precisamos nos reinventar, adaptar rotinas, transformar nossos lares em ambiente de trabalho e salas de aulas, seguir rigorosamente protocolos de higiene e de distanciamento social. Mas, de todas essas mudanças, uma aprendizagem se destaca: a valorização da vida. “Quando a gente olha para a fragilidade da vida humana e a necessidade de cuidado que faz com que todo mundo pare e olhe para como fazer para cuidar da vida. Acho que esse é um grande aprendizado”, afirma o vice-diretor do Colégio Marista São Luís Anderson dos Santos. 

A Coordenadora de Pastoral do Colégio Marista Santo Ângelo Jurema Sausen acredita que o isolamento social trouxe a oportunidade de as pessoas olharem para si e ressignificarem diferentes aspectos em suas vidas, assim como aprimorar o olhar para os outros. “Olharmos com sensibilidade e empatia o outro. Aquela pessoa conhecida, mas também para o ser humano desconhecido. Para aquela pessoa que se encontra em situação de vulnerabilidade social”, comenta a educadora. O Irmão Dionísio Rodrigues também fala sobre as reflexões feitas neste ano. “Esse tempo também me fez refletir que a nossa vida é feita de ciclos, cada experiência, cada encontro nos deixa uma marca, algumas são boas, mas outras deixarão cicatrizes. Cada uma delas sugere um recomeço”, destaca. 

Busca por sentido 

Além da valorização da vida, a pandemia também nos ensinou a valorizar coisas pequenas, como a rotina. Luciano de Jesus rememora que muitas vezes reclamávamos da rotina, mas durante o período de distanciamento sentimos falta de sair de casa e viver as atividades do dia a dia. “Então, esse é um elemento: prestar atenção nas coisas que nos acontecem”, comenta o especialista. É importante também não perdemos a esperança e acreditar que não estamos sozinhos. “Sempre partilhar com alguém, amigos, familiares, colegas, as nossas angústias, os nossos problemas. Nós precisamos falar mais sobre eles. Para amenizá-los e encontrarmos saídas e alternativas de mudanças, juntos”, aborda o Irmão Dionísio. Além do reconhecimento das pequenas coisas do cotidiano e das partilhas, pode-se dizer que o colégio também é essencial no auxílio da busca por sentido pelas pessoas. Para Luciano de Jesus a escola se destaca na questão cognitiva, mas também no que se refere à sociabilidade, inclusão e riqueza de sentido. “Eu vejo que, restrito à família, nesse sentido, foi um ano bastante interessante para nós pensarmos o valor da escola”, finaliza. 

Ser solidário 

Mesmo em um ano com tantos desafios, a solidariedade conseguiu se evidenciar. Anderson dos Santos relembra que a pandemia intensificou as necessidades de uma parcela da população e, consequentemente, a rede de solidariedade também foi ampliada, de modo que houvesse organização para que as ações tivessem maior alcance e fossem mais afetivas. “Eu vejo que a solidariedade é isso, caminharmos em direção à necessidade do outro”, conclui. Luciano de Jesus concorda. Para ele há um movimento no qual as pessoas têm sentido vontade de fazer mais por outras pessoas, pelos animais e pelo planeta. “Fazendo algo pelo mundo eu dou sentido pra minha vida”, explica. 

Para Jurema Sausen a solidariedade pode transformar o pensamento e nos levar a crer em um novo mundo com menos individualismo e mais ações direcionadas para o bem comum. “Quando você doa o seu tempo para ajudar o próximo, está fazendo a diferença na sociedade. Mas também estimula em si mesmo o altruísmo, a alegria, a gratidão por ver o quanto o seu gesto amoroso é significativo na vida de alguém”, completa. O Irmão Dionísio menciona que na sua área de estudos, Teologia, alguns estudiosos dizem que ao fazer bem, gratuitamente, algo de especial acontece no interior do ser e, por isso, fala-se que a gratidão e a solidariedade transformam. Ele ainda revive a frase de Champagnat: é fazendo os outros felizes, encontraremos nossa felicidade

Ser grato 

Ao passarmos por um momento complicado, principalmente pelo qual estamos vivenciando, a gratidão torna-se um aspecto fundamental. “Eu penso que a gratidão é a maneira como sistematizamos e olhamos para o que construímos, o que temos e as coisas que fazem parte da nossa vida”, declara Anderson dos Santos. No mesmo caminho, Irmão Dionísio relembra que os momentos ruins e problemas acontecem e continuarão acontecendo, mas que é nesse momento que surge a gratidão. “Por meio do exercício da gratidão, nós podemos melhor superar as crises”, afirma. 

O ato de ser grato também pode ser praticado a partir das pequenas coisas do cotidiano. “Ao se levantar pela manhã, dar graças pelo novo dia, pela vida que se renova, pelas oportunidades que surgirão. Agradecer ao passado, ao presente, mas também àquilo que está por vir. Então, dessa forma, você se torna mais otimista, mais feliz, e tudo isso contribui para a sua saúde”, comenta Jurema Sausen. Irmão Dionísio complementa abordando outros benefícios trazidos pelo exercício da gratidão. “Ele ajuda, por exemplo, a aumentar a qualidade das relações, nos torna mais empáticos e os nossos laços mais próximos, nos deixa mais tranquilos, relaxados, e reduz o estresse, aumentando, inclusive, a nossa motivação e prazer e do nível de um bem-estar", recorda. 

O futuro 


De acordo com Anderson Santos, o futuro sempre foi algo incerto, a pandemia apenas fez com que enxergássemos isso de maneira mais latente. Uma das principais formas de lidar com isso é o autoconhecimento. Esse ponto também é trabalhado, de diferentes modos, nos Colégios Maristas, chamado de projeto de vida. “É a maneira como estudante vai construindo, como o estudante vai ao longo do tempo aproveitando a experiência da escola para construir o seu projeto de vida. É autoconhecimento e o planejamento, a realização, a construção de plano. Esses dois movimentos são fundamentais pra gente viver num cenário de incerteza”, comenta. 

É importante olhar para o ano que tivemos com gratidão pelas possibilidades de aprendizagens e crescimento. Da mesma forma que ser grato, mas não ficar preso ao passado, pois pode gerar uma tendência depressiva. Voltar-se para o futuro nos tira o foco do presente, do viver com intensidade pois leva à ansiedade, conforme discorre Luciano de Jesus. “O saudoso São João Paulo dizia que, diante do novo milênio, nós devemos olhar para o passado com gratidão, viver o presente com paixão e olhar para o futuro com esperança”, parafraseia.  

O especialista finaliza com uma reflexão do filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard: só compreendemos a vida se nós olhamos para trás, mas nós só vivemos a vida se nós olhamos para frente. ​

* Os conteúdos publicados no Projeto Em Família estão em conformidade com as diretrizes dos Colégios da Rede Marista. As opiniões dos especialistas convidados, no âmbito externo, não representam, necessariamente, a concordância e/ou posicionamento da instituição​.